terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O futuro da visualização na Arquitectura

Uma das principais capacidades do Arquitecto é a de projectar algo que ainda não existe. Para isso, desde sempre utilizou meios de comunicar e formalizar os seus pensamentos, criando uma base através da qual pudesse desenvolver, transmitir e rever as suas ideias.

Com a vertiginosa rapidez com que a tecnologia evoluiu nos últimos anos, rapidamente passámos de desenhos feitos à mão e de modelos tridimensionais físicos (maquetas), para desenhos assistidos por computador, e para os agora comuns programas de modelação e renderização 3D, que permitem simular perspectivas e filmes de modelos virtuais.

Presentemente, o percurso das ferramentas de comunicação do arquitecto está à procura de uma conjugação entre as vantagens do físico e do virtual.

Com efeito, até há alguns anos, construíam-se maquetas físicas para desenvolver um projecto, através das quais se obtinha uma percepção espacial mais tangível. Posteriormente, deu-se, então, um passo para o campo virtual.

Os modelos tridimensionais são agora mais rápidos de fazer, podendo simular de forma realista as características do espaço que se está a criar, permitindo um grande desenvolvimento na capacidade de planear e construir ideias, visto ser agora possível projectar com maior pormenor e aproximação à realidade.

No entanto, nesta evolução, algo se perdeu. As reproduções virtuais acabaram por ficar "limitadas" a uma representação bidimensional colocada num ecrã sob a forma de imagem ou filme, tendo perdido em parte a sua materialidade ou a leitura espacial de um modelo no qual se pode, de facto, sentir o espaço fisicamente.

Para preencher essa lacuna, surgiram algumas tecnologias que são promissoras no sentido de devolver essa leitura espacial entre a pessoa e o modelo, no agora "mundo virtual da Arquitectura". Este conjunto de tecnologias emergentes tem, assim, o potencial de abrir novas possibilidades à comunicação e à divulgação da Arquitectura.


Realidade aumentada


O conceito de realidade aumentada baseia-se na utilização de um suporte digital (monitor) e de uma câmara de vídeo a ele ligada. O monitor não se limita a projectar a realidade vista na câmara, mas acrescenta-lhe informação virtual, sobrepondo-a à real.

A realidade aumentada necessita de um lugar, dado por coordenadas GPS ou por um suporte sobre o qual sejam identificados pontos de referência. O mundo virtual ganha, portanto, um "lugar físico” na realidade.

Uma das novidades nesta área é uma aplicação para IPhone e Android, que possibilita a quem circula na rua a visualização de projectos 3D por construir, nos locais para os quais foram projectados, criando assim uma projecção do que vai existir.



Outra novidade é um software chamado Artefacto, que promete as mesmas funcionalidades possibilitando, inclusivé, a visualização de um modelo tridimensional com base na leitura de uma planta bidimensional.












Existe ainda a possibilidade de utilizar esta tecnologia na esfera educacional, levando a realidade aumentada a novos níveis.





Arquitectura estereoscópica tridimensional
 

Tal como no cinema, a visualização de imagens e filmes em 3D estereoscópico também chegou à Arquitectura, ampliando o impacto de uma já poderosa ferramenta de comunicação.

À Arquitectura, que tem como tema fundamental a criação de espaços, torna-se agora possível atribuir uma “palpável” percepção de largura, comprimento e profundidade através de uma representação virtual.



Interior em 3D estereoscópico (imagem retirada do site: www.archiform3d.com)


Exterior em 3D estereoscópico (imagem retirada do site: www.archiform3d.com)



Holografia na Arquitectura
 
Ainda recentemente surgiu outra tecnologia: a holografia.

Esta tecnologia, possibilita "imprimir" informação num suporte bidimensional (uma fina película fotográfica), que exposta a um determinado ângulo de luz cria a ilusão de uma maqueta que parece projectar-se para fora da película, permitindo a percepção do espaço e a visualização de múltiplas perspectivas.

Tem ainda a fantástica vantagem de permitir ver o projecto por “camadas” ou pisos, com um pormenor bastante realista, e alternar entre eles de forma simples, facilitando a comunicação do projecto.

Esta tecnologia necessita apenas de uma fonte de luz e de uma impressão holográfica e acaba por ser mais próxima da maquete física, em redor da qual se podem discutir ideias.




Concluíndo, de acordo com a tendência actual, as representações virtuais vão continuar a ganhar terreno e diversidade, sendo previsível que evoluam no sentido de serem cada vez mais interactivas, aportando inúmeras vantagens ao processo de projecto e de apresentação ao cliente e diluíndo os limites entre o pensado e o construído.


Francisco Palma

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One of the key capabilities of the architect is to design and create something that does not yet exist. In order to do so, there has always been used means to communicate and formalize their thoughts, creating a base through in witch they could develop, transmit and review their ideas.

With the astonishing speed in witch technology has evolved in recent years, we have moved from hand maid drawings, sketches and tree dimensional physical models (mock-ups) to computer assisted drawings, programs and to the common modelling and 3D rendering programs, which allow you to simulate and create perspectives of virtual models.

At the present date, the communication tools at the architect’s disposal are sprouting to create a connection between the advantages of the physical and the virtual.

Not long ago, we built up physical models to develop a project; through witch the spatial perception was more tangible. 

The bridge to the virtual world was created and three dimensional models are now a reality. These three dimensional models are swift to simulate the spatial characteristics we need, allowing a major development of the ability to plan and construct ideas, since it is possible to project with grater detail and approximation to reality.

However, throughout this evolution, something was lost. Virtual reproduction ended up “limited” to a two dimensional representation placed on a screen in the form of an image or movie, being that the materiality was lost, the spatial reading of a model in which one can feel the space physically was gone.

To fill this gap, some technologies were developed with revelled to be promising to return the special reading between the person and the virtual world template of today’s architecture. This set of emerging technologies has the potential to open new possibilities of communication as dissemination of architecture.
 

Augmented reality

The concept of augmented reality is based on the use of a digital support (monitor) and connected to it, a video camera.

The monitor is not limited to project the reality seen on the video camera, but adds virtual information, overlapping the reality.

Augmented reality needs a place, given by GPS coordinates or by a support on witch reference points are identified. The virtual world wins a “physical place” in reality.

One of the innovations in this area is an application for Iphone and Android, witch allows whomever walks throw a street to access 3D displays of projects to be built, in the places were they are supposed to be built, thus creating a projection of what will exist.
Another novelty is a software called Artifact which contains the same functionalities, and in addition enabling anyone to view a three dimensional model based on a reading of a two dimensional plan.











There is also the possibility of applying this technology to the educational sphere, opening the augmented reality to new levels.

Three dimensional stereoscopic architecture

As in cinema, viewing images and stereoscopic 3D movies have also reached the Architecture sphere, expanding the impact of an already powerful communication tool.

Architecture, whose fundamental purpose is to create specific spaces, now has the possibility to assign a “palpable” sense of width, length and depth through a virtual representation.




Interior em 3D estereoscópico (imagem retirada do site: www.archiform3d.com)


Exterior em 3D estereoscópico (imagem retirada do site: www.archiform3d.com)


Holography in Architecture


Recently, another technology was developed, holography, which consists in the printing of information on a two dimensional film, which exposed to a certain angle of light creates the illusion of a model that seems to be out of the film, allowing the perception of space and the viewing of multiple perspectives.

In addition this technology has the great advantage of allowing to vision the project in layers or floors, with a fairly realistic sense of detail, switching perspectives easily, facilitating the communication of the project.

This technology only requires a holographic “print” and a source of light and then turns out to be the closer version to the physical mockup, around which you can discuss ideas.


As a conclusion, according to the current trend, the virtual representation will continue to grow and diversify, evolving to a more interactive plan, providing numerous advantages to the design and process of customer presentation and diluting the boundaries between thought and the reality built.

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