sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Fotografia: A caixa que mudou o mundo.

“Photographers are magicians of time; their cameras are magical instruments, with which they arrest the flow of time.” 
(50 photographers you should know)


Longínquos vão os tempos em que tirar uma fotografia era sinónimo de roubar a alma. Foram muitos os que se recusaram a pousar para aquela que consideravam ser uma caixa com um óculo “estranho e poderoso”: o daguerreótipo - “uma série de membranas espectrais, que se fixa na chapa de prata, subtraindo-as progressivamente ao corpo fotografado”[1].

A fotografia nasce na Europa em 1839, mais precisamente em França, pela mão de Louis Daguerre, na Academia das Ciências de Paris. Contudo, o crescimento e a industrialização da fotografia dá-se por volta de 1860, quando se começa a fazer o registo de retratos funerários. Efetivamente, durante muito tempo a fotografia servia exclusivamente para fazer este tipo de registo fascinando quem o fazia, pela forma como captava os traços do rosto humano.
  
Com a evolução dos tempos e a conquista da fotografia noutros campos, a imagem começa a libertar-se para outra realidade. Começa por captar o naturalismo das paisagens, mas acaba por chegar à cidade onde descobre as luzes e as formas dos edifícios, em consonância com as pessoas que coabitam esses espaços.

A fotografia, mais do que as palavras, tornou-se, na verdade, numa forma de mostrar e contar ao mundo as histórias do passado, através das gentes e dos edifícios que guardam em si a evolução dos tempos.

A evolução do registo de imagens tem-se verificado em vários campos, ao longo dos anos: desde o fotojornalismo, que tem como objectivo transmitir informação clara e objectiva; à moda, que vem explorar as tendências de um tempo; retratos, que visam captar de forma artística uma pessoa ou uma família; fotos de arquitetura, que procedem ao registo de inúmeras obras que são intemporais, ou, do ponto de vista arquitectónico, de uma peça de arte que merece ser enfatizada; ou Fotografia de estúdio, que vem permitir um maior controlo da luz, resultando em imagens de carácter intimista.


Efetivamente, ao longo dos tempos a fotografia evoluiu de forma significativa, deixando o analógico - filme/rolo, para crescer na Era Digital (fotografar/visualizar/imprimir). Hoje qualquer pessoa tem ao seu dispor uma vasta quantidade de dispositivos que permitem tirar uma fotografia em qualquer lugar, sem esperar longos dias pelo produto final. Os rolos a cores ainda existentes no mercado são oito a dezasseis vezes mais rápidos que as primeiras versões, a gama de cores é mais vasta e completa, a sensibilidade muito variável, existindo películas desde muito lentas a muito rápidas, com vários formatos desde os de 35mm, médio a grande formato, e o tempo de revelação é feito em minutos.

E há, sem dúvida, quem continue a optar pelo formato analógico uma vez que, mesmo sendo mais dispendioso, não existe prazer maior do que ver aquele papel branco ser desenhado pelo poder da ciência. Porém, não podemos negar que um dos principais problemas da vulgarização da fotografia é o facto dos rolos a cores caírem progressivamente em desuso, mesmo a sua qualidade continuando a ser superior à da imagem digital. Isso é visível quando ampliamos uma imagem em formato digital, uma vez que ainda se nota alguma perda de qualidade.

O desenvolvimento da fotografia é, sem dúvida, um estudo vasto, desde a luz/cor, ao ponto de vista, ao enquadramento e composição antes de cada registo, à melhor óptica, à relação que deve ter a máquina, olho e o cérebro, às suas origens, a sua evolução ao longos dos séculos, os antecedentes... mas tudo isso serão temas para falar noutros momentos e noutros registos.


Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração” 
(Henri Cartier Bresson)



Tânia Farias


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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Oscar Niemeyer: Um simbolo Brasileiro na Arquitectura Internacional

A Arquitectura,  do grego αρχή [arkhé] (que significa “principal”) e τέχνη [tékhton] (que significa “construção”), refere-se à arte de edificar o ambiente habitado pelo Homem. 


Oscar Niemeyer

Nesta primeira publicação sobre “Arquitectura Nacional e Internacional”, procurou-se uma abordagem mais generalista do tema, de forma a serem apresentados diversos exemplares de obras arquitetónicas em território nacional e internacional. Como tal, e respondendo a esta primeira premissa, julgou-se também oportuno destacar a obra de uma das figuras mais emblemáticas da Arquitetura a nível Mundial: Oscar Niemeyer, que, não sendo representativa de uma época ou corrente, consegue ser cronológica e geograficamente abrangente.

Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares nasceu no Rio de Janeiro, em Dezembro de 1907, e formou-se na Escola Nacional de Belas Artes, obtendo o diploma de “Engenheiro Arquitecto” em 1934. Ainda durante o curso, iniciou a sua vida profissional no escritório dos arquitectos Lúcio Costa e Carlos Leão, onde teve a oportunidade de aprender e praticar uma nova arquitectura.

Pioneiro na utilização e exploração das inúmeras possibilidades formais e características plásticas do betão armado, com o mero intuito de conseguir impacto estético, Niemeyer contou com a fundamental parceria dos engenheiros Joaquim Cardozo (1987-1978), responsável pelo cálculo da maioria dos seus edifícios de Brasília, e José Carlos Sussekind (1947), pelos seus projectos desde a década de 70.

O seu primeiro projecto individual foi a Obra do Berço, em 1937, no Rio de janeiro, com clara influência da arquitectura moderna e de um dos seus maiores nomes: Le Corbusier, nomeadamente com a introdução de várias características desse movimento arquitectónico (os pilotis; a planta e fachada livres; o terraço-jardim e o brise-soleil, aqui utilizado na vertical).

De entre várias obras emblemáticas, começamos por destacar o Conjunto da Pampulha, em 1943, em Minas Gerais, em que o arquitecto aproveitou para desenvolver a linha curva e a liberdade plástica que o betão armado permitia.

Igreja da Pampulha, Minas Gerais, 1943

 Em 1947, Niemeyer viaja para os Estados Unidos, integrando uma equipa de arquitectos internacionais, entre os quais Le Corbusier, uma das suas grande referências, com o qual viria a elaborar o projecto da Sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.


Sede da ONU, Nova-Iorque, 1947



Já na década de 50 do século passado, constrói a sua própria casa, no Rio de Janeiro: a Casa das Canoas, um volume orgânico, transparente, que se funde na paisagem, e por oposição, em 1954, o Museu de Arte Moderna de Caracas, Venezuela, que se encerra e destaca da sua envolvente, monumental, de forma plástica, simples e espontânea.


Casa das canoas, Rio de Janeiro, 1962








Catedral de Brasília, 1968


Para o Projeto Piloto de Brasília, a nova capital, Lúcio Costa desenvolve o plano da cidade, enquanto Niemeyer fica responsável pelos projetos dos edifícios, elaborados em poucos meses, entre os quais se destacam: o Palácio da Alvorada (residência do Presidente), o Edifício do Congresso Nacional, a Catedral de Brasília, o Palácio do Planalto (sede de governo) e o Aeroporto de Brasília.

Palácio da Alvorada, Brasilia, 1958




Edíficio do Congresso Nacional, Brasilia, 1960


Palácio do Planalto, Brasilia, 1960

Desde o início da construção de Brasília, muitos outros edifícios emblemáticos brasileiros nasceram do génio de Oscar Niemeyer, sendo importantes os exemplos da Passarela do Samba (Sambódromo do Rio), (1983); Memorial da América Latina em São Paulo (1987); Museu de Arte Contemporânea (1991) e Caminho Niemeyer em Niterói (ainda em desenvolvimento).

Memorial da América Latina, São Paulo, 1987


Museu de Arte Contemporânea, Niterói, 1991

Além dos projectos em território brasileiro, podemos encontrar a beleza e originalidade das obras de Niemeyer por vários pontos do Mundo: Líbano; França; Itália; Argélia; Emirados Árabes; Reino Unido; Espanha; Chile; Argentina, entre outros.
Sede do Partido Comunista Francês, Paris, 1965





Sede da Editora Mondadori, Itália, 1968



Pavilhão na Serpentine Gallery, Londres, 2003


Centro Cultural Pricipado de Astúrias, Avilés, Espanha, 2006

Portugal exibe também com orgulho um exemplar do seu legado arquitectónico, este em parceria com o Arquitecto Viana de Lima: o Hotel e Casino construído em 1976 no Funchal, Madeira. O edifício do Casino é uma estrutura hiperbólica suportada por 32 colunas e assemelha-se à planta circular e estrutura da Catedral de Brasília. O espaço e a integração de luz natural são as principais características deste magnífico exemplar de arte moderna.

Hotel e Casino, Funchal, Madeira, 1976

Como reconhecimento pelo seu trabalho, Niemeyer recebeu, entre muitos outros galardões, o Prémio Pritzker de Arquitectura, equiparado ao “Nobel da Arquitectura”, em 1988.

Além da Arquitectura, que abrange várias escalas, várias épocas e várias culturas por todo o mundo, Niemeyer também projetou mobílias de design, utilizando a madeira prensada para exprimir as formas curvas que já aplicava ao betão, expondo até diversas peças em museus e feiras internacionais.

Chaise Longue Rio, década de 70


"Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo deEinstein." (Oscar Niemeyer)                 
                                                                                                                                                                                                  

"Não me sinto importante. Arquitetura é meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com otimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral." (Oscar Niemeyer)


                                                                                         
                                                                                       Por Joana Barros 


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sábado, 10 de novembro de 2012

Inovação e Empreendedorismo: Uma janela para a oportunidade!


Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” (Fernando Pessoa)

Escrever para um público que queremos que nos siga com interesse tem muito que se lhe diga. É que, aqui, temos de cortar com tudo aquilo que seja desinteressante e escrever apenas sobre aquilo que de alguma forma vai contribuir para o crescimento de quem nos lê... ainda que não agrademos a todos, queremos agradar à maioria, mas acima de tudo queremos ser autênticos e relevantes.
 
Neste sentido, achamos que falar, neste primeiro momento de introdução, sobre Inovação e Empreendedorismo tem tudo a ver, connosco, com a  nossa forma de ser e de agir, e que, por outro lado, é um tema que embora recorrente, é de extrema importância para vencer os desafios da sociedade actual.

Efectivamente, num ambiente global de competição e mudanças constantes, a inovação e o empreendedorismo são as características principais que diferenciam as empresas da actualidade e pilares essenciais para o desenvolvimento.

A inovação surge intrinsecamente ligada à liberdade criativa, a novos conceitos, novas tecnologias, e novas formas de trabalhar.

Peter Drucker, conhecido como o maior guru do management de todos os tempos, afirmou que “o que todos os empreendedores de sucesso revelam não é uma qualquer personalidade especial, mas sim um empenhamento pessoal numa prática sistemática de inovação. A inovação é a função específica do empreendedor, quer surja num negócio clássico, numa agência pública, ou numa nova empresa criada numa garagem ou num vão de escada”.

Os empreendedores são, sem sombra de dúvida, os agentes responsáveis pela mudança, pela alteração do curso das águas, contribuindo de forma decisiva para a geração de riqueza e para o crescimento do mercado, através da aplicação de novas ideias e soluções. E está nas nossas mãos fazer a diferença. Focarmo-nos na irreverência, apostarmos em novas possibilidades e seguir na direção contrária do péssimismo e da inação. Afinal, não queremos ser mais uns como tantos, queremos agitar o mundo.



No livro Rework, escrito pelos fundadores da 37 Signals (um livro que aconselhamos vivamente caso queira “mudar para sempre o modo como trabalha”), pode-se ler: “Todos temos ideias. As ideias são imortais. Duram para sempre. O que não dura para sempre é a inspiração. A inspiração é como a fruta fresca ou o leite do dia, tem prazo de validade... é como uma máquina do tempo.”, por isso, deixe-se inspirar hoje, motive-se agora e comece a inovar.

Sandra Vieira

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